01
Ensinando o próprio modelo
Imagine uma empresa que quer uma IA para resumir os registros de chamadas da sua central de atendimento. Os resumos precisam seguir o padrão da empresa: três campos, "Motivo / Ação / Acompanhamento", com o tom e os termos que a empresa usa. Se você só pedir o resumo para um LLM já treinado, o conteúdo fica bom, mas o formato e o tom saem um pouco diferentes a cada vez.
Existem três jeitos principais de resolver isso. Você pode colocar no prompt uma descrição do formato e alguns exemplos (engenharia de prompt), buscar o material de que o modelo precisa e anexar (RAG), ou treinar um pouco mais o próprio modelo (ajuste fino). Na cena abaixo, alterne entre os métodos e veja o que muda.
- O que muda
- os pesos do modelo
Tarefa: resumir registros de chamadas da central de atendimento no formato da empresa (Motivo / Ação / Acompanhamento)
O prompt continua curto, mas os números dentro do modelo mudaram. Resumir no formato da empresa passou a fazer parte do próprio modelo.
Os dois primeiros só mudam o texto que você envia ao modelo. Os números dentro do modelo, os pesos, continuam iguais. O ajuste fino faz o contrário: muda os pesos. Você parte de um modelo que já terminou o pré-treinamento e treina mais um pouco com os seus dados, ajustando esses números. Isso exige bem menos dados e dinheiro do que construir um modelo do zero. É parecido com contratar alguém experiente e só ensinar como a sua empresa trabalha.
Se quiser entender como os modelos aprendem e o que são os pesos, veja o capítulo de treinamento de Como funcionam os LLMs.
Se a questão disser… → escolha isto
- “Ajusta os pesos do modelo”Ajuste fino
- “Continua treinando um modelo pré-treinado com os seus dados”Ajuste fino
- “Melhora os resultados sem modificar os pesos originais”Engenharia de prompt · RAG (não é ajuste fino)
Para mudar os pesos, o modelo precisa de algo com que aprender. O que você ganha com o ajuste fino depende quase totalmente dos seus dados de treino.
02
Preparando os dados de treino
O tipo mais comum de ajuste fino treina com exemplos que juntam uma entrada e a resposta correta. Na nossa empresa, um exemplo é um registro de chamada mais um bom resumo dele no padrão da casa. Normalmente você prepara isso num arquivo com um exemplo por linha, num formato como JSONL.
{"input": "Cliente diz que foi cobrado duas vezes…", "output": "Motivo: cobrança em duplicidade / Ação: estorno solicitado / Acompanhamento: SMS de confirmação em até 3 dias"}
{"input": "Cliente quer mudar o endereço de entrega…", "output": "Motivo: mudança de endereço / Ação: atualizado antes do envio / Acompanhamento: nenhum"}O modelo olha esses exemplos e aprende "para esse tipo de entrada, responda assim". Isso também quer dizer que ele copia qualquer erro escondido nos exemplos. Na cena abaixo, experimente limpar os exemplos que você coletou.
- Exemplos com problema
- formato errado, duplicado, dados pessoais, resposta errada
- Divisão
- Ainda não dividido
Um exemplo = um registro de chamada (entrada) + um resumo no formato da empresa (a resposta)
Dos 14 exemplos coletados, 4 têm problema: um está no formato errado, um é duplicado, um tem o resumo errado e um ainda traz dados pessoais de um cliente.
Como são bons dados de treino
- Formato consistente: se as respostas vêm num formato diferente em cada exemplo, o modelo também aprende a ser inconsistente.
- Respostas corretas: se entrarem resumos errados, o modelo aprende o jeito errado também. Qualidade importa mais que quantidade.
- Parecidos com as entradas reais: os exemplos devem se parecer, em tamanho e tipo, com os registros de chamadas que você vai receber de verdade.
- Sem duplicatas: se o mesmo exemplo aparece várias vezes, o modelo decora demais aquele exemplo.
- Sem dados sensíveis: um modelo pode decorar os dados de treino e repetir tudo, palavra por palavra, para outra pessoa. Remova ou mascare dados pessoais, como nomes e telefones, antes de treinar.
Quantos dados você precisa? Depende da tarefa, mas, se o objetivo principal é ensinar um formato, algumas centenas a alguns milhares de exemplos bem feitos costumam bastar para fazer diferença. Além disso, você separa uma parte do que coletou e não treina com ela. Esse é o conjunto de validação, usado para conferir como o treinamento foi em exemplos que o modelo nunca viu. No próximo capítulo você vai ver como ele é usado.
Se a questão disser… → escolha isto
- “Dados que juntam entradas e respostas-modelo”Dados rotulados para ajuste por instruções
- “Um arquivo com um exemplo por linha”Formato JSONL
- “Dados separados e não usados no treino”Conjunto de validação
- “Os dados de treino têm nomes e telefones de clientes”Remover os dados pessoais
Com os dados prontos, é hora de treinar. Antes, você precisa definir alguns valores, e, se eles forem mal escolhidos, o treinamento sai do rumo.
Exclusivo Pro
Até aqui vai a parte gratuita
Os outros 5 capítulos estão disponíveis para assinantes Pro. Cada um continua com visuais em 3D e dicas de “se a questão disser…”, e no último capítulo você testa o que aprendeu.
- 03Épocas, taxa de aprendizado e sobreajuste
- 04PEFT e LoRA
- 05Métodos de treino por objetivo
- 06Armadilhas do ajuste fino
- 07Quando usar ajuste fino
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