Guia de conceitos

Ajuste fino (fine-tuning)

Às vezes você capricha no prompt, entrega os documentos certos e, mesmo assim, o modelo não faz as coisas do jeito que você quer. É aí que vale ensinar um pouco mais ao próprio modelo, usando os seus dados. Isso é o ajuste fino (fine-tuning). Vamos ver como preparar os dados, como o treinamento funciona, onde estão as armadilhas e quando o ajuste fino é a escolha certa.

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Ensinando o próprio modelo

Imagine uma empresa que quer uma IA para resumir os registros de chamadas da sua central de atendimento. Os resumos precisam seguir o padrão da empresa: três campos, "Motivo / Ação / Acompanhamento", com o tom e os termos que a empresa usa. Se você só pedir o resumo para um LLM já treinado, o conteúdo fica bom, mas o formato e o tom saem um pouco diferentes a cada vez.

Existem três jeitos principais de resolver isso. Você pode colocar no prompt uma descrição do formato e alguns exemplos (engenharia de prompt), buscar o material de que o modelo precisa e anexar (RAG), ou treinar um pouco mais o próprio modelo (ajuste fino). Na cena abaixo, alterne entre os métodos e veja o que muda.

Método
O que muda
os pesos do modelo

Tarefa: resumir registros de chamadas da central de atendimento no formato da empresa (Motivo / Ação / Acompanhamento)

O prompt continua curto, mas os números dentro do modelo mudaram. Resumir no formato da empresa passou a fazer parte do próprio modelo.

Os dois primeiros só mudam o texto que você envia ao modelo. Os números dentro do modelo, os pesos, continuam iguais. O ajuste fino faz o contrário: muda os pesos. Você parte de um modelo que já terminou o pré-treinamento e treina mais um pouco com os seus dados, ajustando esses números. Isso exige bem menos dados e dinheiro do que construir um modelo do zero. É parecido com contratar alguém experiente e só ensinar como a sua empresa trabalha.

Se quiser entender como os modelos aprendem e o que são os pesos, veja o capítulo de treinamento de Como funcionam os LLMs.

Essa é a distinção que mais cai em prova. Se os pesos mudam, é ajuste fino. Se não mudam, é engenharia de prompt ou RAG. Então, se uma questão pedir um jeito de melhorar os resultados "sem modificar os pesos do modelo original", ajuste fino não é a resposta. É aqui que muita gente escorrega.

Se a questão disser… → escolha isto

  • “Ajusta os pesos do modelo”Ajuste fino
  • “Continua treinando um modelo pré-treinado com os seus dados”Ajuste fino
  • “Melhora os resultados sem modificar os pesos originais”Engenharia de prompt · RAG (não é ajuste fino)

Para mudar os pesos, o modelo precisa de algo com que aprender. O que você ganha com o ajuste fino depende quase totalmente dos seus dados de treino.

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Preparando os dados de treino

O tipo mais comum de ajuste fino treina com exemplos que juntam uma entrada e a resposta correta. Na nossa empresa, um exemplo é um registro de chamada mais um bom resumo dele no padrão da casa. Normalmente você prepara isso num arquivo com um exemplo por linha, num formato como JSONL.

{"input": "Cliente diz que foi cobrado duas vezes…", "output": "Motivo: cobrança em duplicidade / Ação: estorno solicitado / Acompanhamento: SMS de confirmação em até 3 dias"}
{"input": "Cliente quer mudar o endereço de entrega…", "output": "Motivo: mudança de endereço / Ação: atualizado antes do envio / Acompanhamento: nenhum"}

O modelo olha esses exemplos e aprende "para esse tipo de entrada, responda assim". Isso também quer dizer que ele copia qualquer erro escondido nos exemplos. Na cena abaixo, experimente limpar os exemplos que você coletou.

Exemplos com problema
formato errado, duplicado, dados pessoais, resposta errada
Divisão
Ainda não dividido

Um exemplo = um registro de chamada (entrada) + um resumo no formato da empresa (a resposta)

Dos 14 exemplos coletados, 4 têm problema: um está no formato errado, um é duplicado, um tem o resumo errado e um ainda traz dados pessoais de um cliente.

Como são bons dados de treino

  • Formato consistente: se as respostas vêm num formato diferente em cada exemplo, o modelo também aprende a ser inconsistente.
  • Respostas corretas: se entrarem resumos errados, o modelo aprende o jeito errado também. Qualidade importa mais que quantidade.
  • Parecidos com as entradas reais: os exemplos devem se parecer, em tamanho e tipo, com os registros de chamadas que você vai receber de verdade.
  • Sem duplicatas: se o mesmo exemplo aparece várias vezes, o modelo decora demais aquele exemplo.
  • Sem dados sensíveis: um modelo pode decorar os dados de treino e repetir tudo, palavra por palavra, para outra pessoa. Remova ou mascare dados pessoais, como nomes e telefones, antes de treinar.

Quantos dados você precisa? Depende da tarefa, mas, se o objetivo principal é ensinar um formato, algumas centenas a alguns milhares de exemplos bem feitos costumam bastar para fazer diferença. Além disso, você separa uma parte do que coletou e não treina com ela. Esse é o conjunto de validação, usado para conferir como o treinamento foi em exemplos que o modelo nunca viu. No próximo capítulo você vai ver como ele é usado.

Se a questão disser… → escolha isto

  • “Dados que juntam entradas e respostas-modelo”Dados rotulados para ajuste por instruções
  • “Um arquivo com um exemplo por linha”Formato JSONL
  • “Dados separados e não usados no treino”Conjunto de validação
  • “Os dados de treino têm nomes e telefones de clientes”Remover os dados pessoais

Com os dados prontos, é hora de treinar. Antes, você precisa definir alguns valores, e, se eles forem mal escolhidos, o treinamento sai do rumo.

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Os outros 5 capítulos estão disponíveis para assinantes Pro. Cada um continua com visuais em 3D e dicas de “se a questão disser…”, e no último capítulo você testa o que aprendeu.

  1. 03Épocas, taxa de aprendizado e sobreajuste
  2. 04PEFT e LoRA
  3. 05Métodos de treino por objetivo
  4. 06Armadilhas do ajuste fino
  5. 07Quando usar ajuste fino

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